(Resenha): Stoner

Stoner
Autor: John Williams
Nota: ★★★★★
Editora: Rádio Londres
Páginas: 320



“William Stoner, filho de humildes camponeses, destinado a trabalhar a terra como seus antepassados, quase por acaso acaba tomando um caminho diferente e, motivado por sua paixão pela literatura, torna-se professor universitário. Ele casa, tem uma filha, passa pelos altos e baixos da vida, adoece, morre.
Os cinquenta anos da vida de William Stoner são narrados com grande precisão e sensibilidade através de um estilo simples e elegante. São descritos seu progressivo e doloroso afastamento da família, as relações complicadas com os colegas, as amizades tragicamente marcadas pela guerra, a difícil vida conjugal, o intenso e impossível amor clandestino com uma professora mais jovem. Stoner reage às provações da vida com aparente impassibilidade e silencioso estoicismo, emergindo como um inesquecível e improvável herói da vida cotidiana. ”

Como foi difícil dar início a essa resenha, simplesmente porque resenhamos quando de fato terminamos um livro, mas Stoner teima em não terminar em mim e acredito que essa sensação perdurará. Ele se fixou em meus pensamentos e na forma em como, de agora em diante, enxergo a vida e suas pequenas causas.

O livro foi resgatado de um esquecimento que eu traduzo como inexplicável, tamanha a grandiosidade da obra, de 50 anos por nomes como Ian McEwan e Julian Barnes. E agora lançado no Brasil pela editora Rádio Londres, que fez jus a preciosidade do romance com uma edição impecável e de impressionar.

John Williams foi professor de literatura e seu personagem William Stoner tem a mesma origem de seu criador.

Stoner é filho de um humilde casal de agricultores, a simplicidade reina em tudo ao seu redor, e ele não pensava além até então, tendo como certo o seu destino. Mas seu pai decidira manda-lo para a Universidade, com o objetivo de estudar agricultura e retornar para quem sabe ajudar na terra da família.

Então Stoner foi, chegara com toda a sua genuinidade, e assim permanecera. Apesar de estudar agricultura, algumas matérias eram obrigatórias independente de qual curso pertencia, e foi assim que William se descobriu professor de literatura, após ter uma epifania declamando um poema de Shakespeare.

Seu pai jamais imaginou que seu filho não voltaria mais, que sua rota mudara, e que seu destino final era dedicar-se inteiramente ao ensino da Literatura. E assim era Stoner, paciente e nunca fugaz, aceitava a vida e seu sopro sempre com frescor. Ele era um navegante, um simples e bom navegante.



É muito fácil se apaixonar por Stoner, ao aprofundarmos a leitura nos identificamos com ele e com o seu amor pelos livros, sua vida na Universidade é arrebatadora, e o comum se torna uma empatia. Porque William Stoner com toda a certeza é um personagem comum, ele não é um super-herói, não tem reviravoltas emocionantes, e sim uma vida monótona e comum, onde poderíamos olhar ao redor e reconhece-lo em muitos por aí. E isso é de fato encantador.

Sua grande dificuldade é a vida, ele se casa com uma mulher que logo fará você reconhece-la como vilã, tem dois amigos de verdade, tem colega de trabalho nada agradável e uma filha. A sim, e tem um amor, o que é a vida sem o amor?

E assim a história vai sendo narrado, do começo ao fim de Stoner. Com uma exaltação impressionante para os fatos miúdos da vida, para o costumeiro que regularmente ignoramos, para as frustrações que todos se deparam um dia. Não há como não reconhecer a dedicação do protagonista, todo o seu esforço, todo o seu amor pela literatura.

E eu repito, acho que Stoner não vai sair de mim tão cedo, e eu realmente espero que não. Que obra!

“Às vezes, imerso em seus livros, vinha-lhe a consciência de tudo que ele não sabia, de tudo que ele não lera. E a serenidade para a qual trabalhava tanto ficava abalada quando se dava conta do pouco tempo que tinha na vida para ler tanta coisa, para aprender o que tinha de saber”

“Você precisa lembrar o que você é, o que você escolheu ser, e o significado do que você está fazendo. Há guerras e derrotas e vitórias da raça humana que não são militares e não são registradas nos anais da história. Lembre-se disso quando estiver tentando decidir o que fazer”.

“Enquanto consertava sua mobília e a arrumava no escritório, era a si mesmo que ele estava lentamente dando forma, era em si mesmo que estava pondo alguma espécie de ordem, era a si mesmo que estava dando uma chance”

“Em seu quadragésimo terceiro ano William Stoner aprendeu o que outros, muito mais jovens que ele, tinham aprendido antes dele: que a pessoa que se ama no começo não é a pessoa que enfim se ama, e que o amor não é um fim, mas um processo através do qual uma pessoa experimenta conhecer outra. ”


“Os dedos relaxaram, e o livro que seguravam se moveu lentamente e depois rapidamente ao longo do corpo imóvel, caindo, por fim, no silêncio do quarto. ”

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3 comentários :

  1. Olá, Cinthia
    Eu não conhecia esse livro ainda. Achei ele bem interessante e que legal que mexeu tanto com você. Mas ainda assim é um livro que não me deu vontade de ler por agora. Quem sabe mais para frente.

    Blog Prefácio

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  2. Oi
    nem conhecia esse livro, mas pela resenha fiquei curiosa já que falou tão bem dele e de uma forma tão empolgante Deve ser uma boa obra.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  3. Oi Cinthia!

    Ainda não li, mas acho tão bom quando o livro fica na gente! E acho essas edições com capa dura lindas!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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