(Resenha): O Sol É Para Todos

O Sol É Para Todos (To Kill a Mockingbird)
Autor: Harper Lee
Nota: ★★★★★
Editora: José Olympio
Páginas: 350



“Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto forte, melodramático, sutil, cômico (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações. ”

Olá leitores, serei extremamente sincera com vocês. Eu demorei bastante para pegar e me dedicar a esse livro, que já cativava um lugarzinho no meu livreiro há um tempo, e o porquê disso eu não sei bem explicar. Talvez um certo receio pela grandeza e complexidade da obra, afinal foi considerado o grande romance do século XX. Mas finalmente o conclui em poucos dias, e o que tenho para dizer é que O Sol é Para Todos me mudou para sempre.

A história acontece em 1930, num munícipio de Alabama chamado Maycomb, no sul dos Estados Unidos. Mesmo após o fim da escravidão no país, o preconceito racial ainda era altamente presente e permanecia de forma assustadora. Lamentavelmente, a situação não caminhava para um progresso, na verdade não chegava nem perto disso.

Mas um acontecimento mexeria com a passividade do pequeno munícipio. Atticus Finch, um advogado de meia idade, que cuidava sozinho dos seus dois filhos desde a morte da sua esposa, foi designado como responsável na defesa de um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca.


Atticus de longe se tornou um dos meus personagens favoritos, um ser totalmente íntegro e com ensinamentos memoráveis, que tenta de todas as formas, com a ajuda de Calpúrnia, ensinar a Scout e Jem os valores mais humanos que podemos imaginar. Ele tem como missão fazer com que seus filhos não sejam corrompidos pelos pensamentos de uma sociedade ultrapassada.



Todo o livro é narrado pela perspectiva da pequena Scout, uma menininha totalmente diferente das outras, que desde cedo já tinha seu senso crítico bem aguçado, e sua mente fervilhava de perguntas, as quais ela buscava as respostas com Atticus ou seu irmão Jem, que apesar de ser só um pouco mais velho que ela, já apresentava indícios dos ensinamentos apresentados por Atticus.

Podemos junto com Scout amadurecermos, ela com seus pensamentos e visões do que já havia presenciado e nós com a trajetória que a trama ganhava. Scout muitas vezes não se contentava com explicações supérfluas, o que a tornava petulante na visão de alguns da vizinhança. Seu freio sempre vinha de Atticus, talvez pela forma como que ele a tratava, sempre com a verdade não se importando com a gravidade do tema.

O livro foi divido em duas partes, a primeira sendo mais leve, onde somos apresentados aos personagens e conhecemos cada um. É uma parte onde a inocência ainda se faz presente quase que totalmente, podemos ver as travessuras que Scout, Jem e Dill se metiam ao tentar desvendar o mistério que rodeava a casa e o paradeiro de Boo Ridle, e claro já é presente desde o princípio a questão racial e social de Maycomb.



Já na segunda parte sentimos o preconceito de forma devastadora, é onde começa a ação de Atticus tentando fazer a tarefa que foi designado, o que me emociona ao saber durante a leitura que para ele não era apenas uma tarefa e sim a justiça em sua mais simples forma, juntamente com o amor ao próximo independentemente de sua cor, sexo ou status. A forma como todos mudam com ele e seus filhos por estarem defendendo um negro, que é visto quase como um pecado, e todo o desenrolar do caso que tem uma desigualdade gritante.

De alguma forma me sinto triste ao saber que o livro já faz algum tempo, mas ainda assim podemos encaixá-lo em diversas situações de nossa sociedade atual, vejamos estamos em pleno século XXI, e pouca coisa evoluiu. O Sol é Para Todos deveria ser obrigação nas escolas e universidades, para que essa obra maravilhosa possa mudar opiniões e vidas. E lembre-se pessoas são só pessoas, independentemente de suas características.

Quotes:

“Eu não gostava de ler até o dia em que tive medo de não poder ler mais. ”

“_ Ainda que tenhamos perdido antes mesmo de começar, não significa que não devamos tentar...”

“Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa. ”

“Coragem é fazer uma coisa mesmo estando derrotado antes de começar _ prosseguiu Atticus. _ E mesmo assim ir até o fim, apesar de tudo. Você raramente vai vencer, mas às vezes vai conseguir. ”


“_ Olha, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: gente. ”

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4 comentários :

  1. Oi
    que bom que gostou desse livro, parece ser uma leitura incrível e que mexe com o leitor, eu ainda não li mas ainda quero ler e quem sabe me emocionar, realmente a questão de racismo hoje em dia ainda é muito forte.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  2. Oi, Cinthia! Tudo bem? Olha, infelizmente ainda não li esse livro, mas tenho muita vontade de fazer isso. Todo mundo que conheço fala muito bem dele e por causa disso eu vou ficando com cada vez mais vontade de ler a obra. Adorei a resenha! :)

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  3. Olá, Cinthia.
    Tenho muita vontade de ler esse livro. O enredo é um pouco parecido com Tempo de matar que tem até filme. Infelizmente esses livros escritos a bastante tempo se encaixam perfeitamente porque o preconceito e o racismo ainda continua firme e forte na mente do povo.

    Blog Prefácio

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  4. Olá,
    Esse é um livro que só vi elogios até o momento.
    Está na minha lista para ler, mas tenho alguns na frente ainda rsrs.
    Parabéns pela resenha.
    Bjs e uma ótima noite!
    Diário dos Livros
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