Resenha: A Estrela de Prata

Título: A Estrela de Prata

Nota: ★★★★★

Autor: Jeannette Walls

Editora: Globo Livros

Páginas: 256



Sinopse:

“O ano é 1970, os Estados Unidos estão em conflito contra o Vietnã e, numa pequena localidade californiana, as irmãs adolescentes Bean e Liz Holladay nem desconfiam que estão prestes a declarar uma guerra particular contra inimigos sem rosto: a crueldade, o preconceito e a hipocrisia que vivem à espreita no chamado mundo adulto. Filhas de pais diferentes e ausentes, subitamente elas se veem abandonadas à própria sorte pela mãe. É o início de uma jornada que as leva para a terra natal dos Holladay, na Vírginia, onde descobrem o passado materno e dos respectivos pais, testemunham a tensa integração de brancos e negros numa escola típica do interior americano e desafiando a sociedade local, enfrentam o autoritário mandachuva da cidade. ”

Resenha:
Sou suspeita, confesso, Jeannette Walls me conquistou por inteiro com seu primeiro livro “O Castelo de Vidro”, o qual o recomendo sempre para todos. Diante dessa minha paixão por sua escrita, depois de ler algumas pessoas falando sobre, comprei “A Estrela de Prata” e não me arrependi em nenhum momento durante a leitura.

Mais uma vez Jeannette aborda o cenário de crianças sofrendo consequências do abuso do poder dos adultos. Liz e Bean (que rima com Jean) são irmãs inseparáveis, ligadas pelo carinho de irmãs e ao mesmo tempo o abandono de uma mãe, uma sonhadora e fracassada atriz/cantora, que sofre constantes problemas de humor ao ponto de abandonar suas filhas por diversas vezes, por curtos ou pequenos períodos de tempo, sozinhas.




Liz e Bean, devido as circunstâncias, tiveram que aprender a tomarem conta uma da outra. Apesar de tudo, é inegável a relação de cumplicidade das três, Charlotte amava suas filhas à sua maneira, por diversas vezes é retratado durante a leitura suas demonstrações de afeto, mas logo é engolida por mais uma crise, e a pior delas foi quando as abandonou com algum dinheiro para as tortas de frango noturnas e sumiu. Liz e Bean estavam encrencadas.

“Mamãe sempre falava que o segredo do processo criativo era encontrar a magia. Isso, ela dizia, era o que você tinha que fazer na vida. Encontrar a magia. ”

As meninas se viravam do jeito que podiam. Apesar da pouca idade, estavam indo muito bem, até um vizinho ter certa estranheza da ausência de Charlotte, e chamar o conselho tutelar. Liz e Bean não tinham outra saída, teriam que voltar ao temido passado de sua mãe, teriam que procurar o tio Tinsley, irmão de Charlotte, para que não fossem parar em um abrigo.



Então se dá o começo da aventura das duas irmãs, que vão sozinhas rumo a Virgínia. Onde encontrarão um tio preso ao passado da família que era dona de um moinho de algodão, a verdadeira história de sua mãe, a história de seus pais, conhecerão parentes que nem sonhavam ter, lidarão com o preconceito de diversas formas, com assuntos mais graves, onde ambas se moldarão e descobrirão como contornar os problemas juntas.

"_ Você disse que Liz tinha coisas a resolver. Que coisas? _ Ele me olhou fixamente.
Olhei para a minha colher, tentando pensar em algo a dizer.
_ Ah, você sabe, coisas.
_ Não, não sei.
_ Compras e tudo o mais.
_ Bean, você mente muito mal. Horrivelmente mal. Os seus olhos olham para tudo que é canto, sem parar. Agora, olhe para mim dentro dos olhos e me diga onde Liz está."

O livro é contato por Bean, a mais espevitada das irmãs, Bean não tem papas na língua. O que deixa um ar de graça no livro. Também é bonito ver que apesar de todo esse abandono por parte da mãe, Jeannette não tem como tema central nenhum rancor por parte das meninas, o assunto é totalmente desviado para a relação de irmandade entre elas.

"Peguei a Estrela de Prata e levei-a para baixo. Liz estava sentada no banquinho do piano, tocando violão.
_ Tome, para você _ eu disse, entregando-lhe a medalha. _ Você merece.
Liz colocou o violão de lado e pegou a medalha. Olhou para ela durante alguns instantes.
_ Não posso ficar com ela. Era do seu pai. _ Ela me devolveu. _ Mas eu nunca vou esquecer que você quis me dá-la."

É um livro lindo, com um tema comovente e forte, sem deixar de ser terno, é adorável a escrita de Jeannette.




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5 comentários :

  1. Oi
    eu não conhecia essa escritora e nem o livro, parecem ser interessantes. Gostei da resenha, esse é um tipo de livro que gostaria de ler.

    http://momentocrivelli.blogspot.com.br/2014/06/resenha-marca-de-atena.html#more

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    Respostas
    1. Adoro de verdade a escrita de Jeannette, e creio que gostará tanto de A Estrela de Prata quanto de O Castelo de Vidro.
      Beijos

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  2. Olá!
    Não conhecia essa escritora. Acho que não seria o tipo de livro que eu leria, mas a sua resenha me deixou muito curiosa. Vou procurar melhor depois =D

    http://refugiorustico.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Que bom que gostou da resenha, Jeannette escreve muito bem, vale a pena a conferida em seus livros.
      Beijos

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  3. Estou no começo do livro e me parece que são fatos que não foram contados no livro Castelo de Vidro ou estou errada ?

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